19 de março de 2014

AS CONTAS DE IPOJUCA

As contas de Ipojuca
 

Diario de Pernambuco - 18/03/2014
 

Luce Pereira

Uma pesquisa que saiu do mestrado em serviço social da UFPE mostra a distância que existe entre o “esplendor” econômico do Complexo Portuário de Suape e a qualidade de vida dos moradores de Ipojuca. O autor do trabalho, o estudante Thiago Antônio Pereira dos Santos, que tomou como parâmetro para a pesquisa o cenário socioeconômico de 2000 a 2010, chegou à conclusão que o modelo de desenvolvimento não se traduziu em benefício para a infraestrutura nem em políticas públicas, apesar de o Produto Interno Bruto (PIB) do município ter aumentado sete vezes, de 1999 a 2009: cresceu de R$ 1.051,6 bilhão para R$ 7.082 bilhões, enquanto a população da área urbana ficou 30% maior e o analfabetismo atingiu 8,47% acima da média da RMR, em 2010. “Isso significa que um quinto da população acima de 10 anos (19,21%) é analfabeta”, conclui o trabalho, lembrando que o IDH de Ipojuca foi o menor da região metropolitana, segundo o Censo 2010 do IBGE. E, num cenário assim, é óbvio que as desigualdades sociais e a pobreza só se acentuam. São inúmeras as perguntas que podem ser feitas a partir da pesquisa, mas uma apenas é capaz de resumir o sentimento da população ante quadros tão distintos: em que momento o poder público se pronunciou ou foi instado a se pronunciar sobre seu papel na configuração deste cenário? A situação em Ipojuca merece ser tratada em um fórum metropolitano, onde o município seja levado a explicar que matemática vem utilizando para não ter a receita/arrecadação minimamente refletida na qualidade de vida dos seus habitantes.

17 de março de 2014

EM USCA DE ELEIÇÕES LIMPAS

Eleições limpas precisam de um MP livre
Diario de Pernambuco - 14/03/14

Aguinaldo Fenelon de Barros
Procurador-Geral de Justiça do Estado de Pernambuco

O povo brasileiro exige cada vez mais representantes políticos com a ficha limpa. Cada vez mais, cobra candidatos em quem possa confiar. É na eleição, porta de entrada com maior visibilidade para a vida pública, que se deve monitorar e filtrar os bons dos maus. Dessa forma, a resolução 23.396/2013 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbe o Ministério Público Brasileiro e a polícia de apurarem crimes eleitorais sem autorização judicial é ir na contramão. Tanto dos anseios dos brasileiros quanto da Constituição Federal. É algemar as instituições, fechar os ouvidos e dar de ombros à voz das ruas.

O artigo 129, inciso VIII, da Constituição Federal, diz que é papel do Ministério Público requisitar investigações e a instauração de inquéritos policiais. O MP é protagonista na apuração de delitos contra o sistema eleitoral brasileiro, imprescindível para eleições idôneas e transparentes. Afastá-lo do processo é uma decisão surpreendente e estranha.

Com o MP de mãos atadas, o prejuízo é de todos. Os olhos da sociedade ficam mais fechados, as irregularidades tendem a aumentar e escapar ilesas, sem uma instituição experiente e atenta para requisitar inquéritos, acompanhá-los e controlá-los. Lidar com apurações, averiguar denúncias e investigações dos mais variados crimes é o cotidiano do MP. Por que não investigação criminal e/ou eleitoral? Por que uma barreira específica se ergueu?

Eleições sérias requerem agilidade no monitoramento e punição. Quando se percebe uma ferida logo no início, se a submete a diagnóstico e, se necessário, ela é até sarjada, a possibilidade de cura e evitar complicações mais graves é das mais altas. A corrupção é uma ferida nacional. Tem que ser barrada em todas as instâncias. Identificá-la já no período eleitoral é, sem dúvida, um modo eficiente de prevenir atos de improbidade mais sérios no futuro.

Não faz sentido um candidato ser mais protegido de investigação do que um político já eleito. Necessitar de uma autorização judicial é privilegiar alguns. Por que a diferenciação? Todos não são iguais? E se o juiz não acatar o pedido, o MP terá que recorrer, esperar o processo se arrastar e, sabe-se lá quando, conseguir autorização. Aí o mandato do suspeito já pode até ter acabado e, quem sabe, após ter feito muito mal aos cofres públicos.

A resolução do TSE é incoerente, injusta, antidemocrática, inconstitucional e filhote da PEC-37. Não convenceu nem ao próprio presidente da instituição, o ministro Marco Aurélio Mello. Agora é ter esperança que o Supremo Tribunal Federal tenha o mesmo discernimento que a maioria da classe jurídica nacional, que se mostrou contrária ao TSE. Eleições limpas são um direito e um desejo do brasileiro. O brasileiro que, já cansado e desiludido da política, vai com essa decisão desacreditar ainda mais no seu país.

31 de janeiro de 2014

EM PERNAMBUCO EXISTE 1,1 MILHÕES DE ANALFABETOS, OU SEJA, 17% DA POPULAÇÃO NÃO SABE LER NEM ESCREVER

EM PERNAMBUCO EXISTE 1,1 MILHÕES DE ANALFABETOS, OU SEJA, 17% DA POPULAÇÃO NÃO SABE LER NEM ESCREVER.

Ler e escrever, para grande parte da população que teve acesso a educação fundamental e boas escolas, é uma tarefa simples, mas para mais de 14 milhões de brasileiros, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é um trabalho duro que envolve estudo, dedicação e, acima de tudo, muita vontade de aprender. Escrever o próprio nome e tirar o significado das palavras é o sonho de muitos jovens e adultos brasileiros que não tiveram a oportunidade de serem alfabetizados.

De acordo com o Ministério da Educação, toda criança com idade entre seis e sete anos deve ser alfabetizada e frequentar regularmente a escola. Mas essa é uma realidade que não se aplica a toda população do país. Segundo pesquisa feita pelo Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), em 2009, quase um em cada quatro brasileiros sai do ensino fundamental sem saber ler e escrever bem, são os chamados "analfabetos funcionais". Eles frequentam ou frequentaram escolas, mas não conseguem “interpretar o que lêm e usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas”.

Segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas), essas pessoas não conseguem extrair sentidos das palavras nem colocar ideias no papel por meio da escrita, tornando mais difícil seu desenvolvimento pessoal e profissional. Essa situação está presente na vida de 15% da população brasileira com idade entre 15 e 64 anos. Dessa porcentagem, 2% são analfabetos absolutos.

Só no Estado de Pernambuco existem 1,1 milhões de analfabetos, ou seja, 17% da população pernambucana não sabe ler e escrever ou tem certa dificuldade para isto. De acordo com a Secretaria de Educação do estado, Pernambuco vem registrando uma queda no índice de analfabetos. Atualmente o estado ocupa o 10° lugar no ranking brasileiro, ficando atrás apenas de Alagoas, Piauí, Paraíba, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte. Com dados da pesquisa de 2010 feita pelo Ipea, a região Nordeste ainda lidera com 15% do número de analfabetos do Brasil.

Os números são alarmantes e o incentivo a investimentos para melhorar a educação no Brasil é a única solução aparente. Walnea Lima, coordenadora do curso de Alfabetização e Letramento da Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire), explica que sentiu falta de uma orientação mais específica para os professores que vão ministrar aulas para jovens e adultos em programas como a Educação de Jovens e Adultos (EJA), do Ministério da Educação. “O curso foi criado para preparar os docentes na tarefa de alfabetizar”, afirma. A pedagoga declara que grande parte dos analfabetos funcionais são produzidos pela escola, ou seja, não tiveram um acompanhamento detalhado dos professores e não souberam desenvolver suas habilidade.

O choque social também pode prejudicar uma criança no processo de alfabetização. De acordo com a Walnea, o linguajar utilizado pelo aluno deve ser trabalhado e, não simplesmente, ser apontado como errado. “A criança terá um choque de aprendizado. Ele escuta em casa, 'nós vai' e reproduz em sala de aula e a professora corrige: 'nós fomos'. E ele pensa, quem está certo? Minha mãe ou a professora? Então acaba optando pelo mais fácil que escuta todo dia”, afirma a coordenadora. A pedagoga lembra que o trabalho do professor deve ser feito para criar curiosidade nos alunos, sendo crianças ou adultos, incentivando o estudo. “Nós professores temos a dificuldade de aprender a língua das comunidades, mas usar o que os alunos veem todo dia é um meio mais efetivo de se aproximar e chamar atenção para a aula”.

22 de janeiro de 2014

CRESCE O DESEMPREGO EM PERNAMBUCO

DESACELERAÇÃO
Pernambuco tem pior resultado em dez anos Queda na criação de postos de trabalho foi de 46,29%, enquanto redução nacional foi de 14,8%

Fonte: Diario de Pernambuco – 21.01.2014

Pernambuco fechou o ano de 2013 com queda de 46,29% na quantidade de postos de trabalho. Foi o pior resultado dos últimos dez anos e o índice ficou bem abaixo do nacional, quando a queda foi de 14,8%, também a pior desde 2003. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregos), divulgados nesta terça-feira pelo Ministério do Trabalho.

No estado, foram criadas 28.062 vagas, enquanto o números de postos gerados em 2012 foi de 52.256. Em todo o país, houve a criação de 1,1 milhão de empregos com carteira assinada no ano, abaixo do resultado de 2012, quando foi registrada a criação de 1,3 milhão de vagas. O governo esperava para o ano passado a criação de 1,4 milhão de novos postos de trabalho. Ao todo, foram 22,1 milhões de admissões e 21 milhões de desligamentos.

Assim como em Pernambuco, o setor de serviços foi o melhor nacionalmente, com a geração de 547 mil novos postos, um crescimento de 3,37%. No mês de dezembro de 2013, o saldo foi negativo, em 449,5 mil empregos.
 

17 de janeiro de 2014

SUAPE COMO VOCÊ NUNCA VIU - O OUTRO LADO

SUAPE COMO VOCÊ NUNCA VIU - O OUTRO LADO

Por Antonio Resende - Delegado de Policia e professor da Faculdade Fachuca.

Em Tupi-Guarani Suape significa " Caminho Sinuoso". Acompanhamos esse caminho durante anos, na verdade o caminho do ônus de Suape, ou seja, aquilo que não é mostrado, aquilo que não querem que você leitor saiba, aquilo que não pode ser entendido e divulgado, sob pena de você virar um inimigo do sistema e a Matrix Estatal reagir e mandar seus leões e leoas para lhe devorar. É lógico que Suape trouxe aquecimento da economia , trouxe investimentos, empregos, isso foi o Bônus, todavia não podemos jogar o ônus para debaixo do tapete, senão vejamos: Foram destruídos cerca de 900 mil hectares de mangue para ampliar o Porto de Suape e instalar os estaleiros Atlântico Sul e Promar. Vale ressaltar que Suape foi instalada em uma área de Manguezais, restingas com uma natureza rica de recifes de corais, que são importantes berçários de peixes e crustáceos e tudo isso faz parte da segunda maior barreira de corais do mundo.

Segundo relatos de moradores e pescadores estimava-se inicialmente que cerca de 25 mil pessoas seriam desalojadas pelo ônus do progresso, muitas espécies morreram por causa das Dragas. A dragagem afetou o mangue e aterrou os corais, uma vez que 90 % dos peixes reproduzem no mangue é de uma clareza solar que a dragagem causou danos ao Ecossistema aquático. Nativos locais alegam que traziam sacos com peixes mortos,com toda essa destruição ambiental os nativos eram raramente ouvidos e cansados dessa falta de comunicação foram buscar abrigo em ONGS e na ONU, o mais estranho é que a Agencia Estadual do Meio Ambiente- CPRH, não foi contra as dragagens absurdas! Outra grande reclamação era sobre a temperatura das TERMOELÉTRICAS, que com o exagerado aquecimento causava danos a vida marinha, bem como riscos até mesmo à vida de pescadores, pois muitos vivem de mergulho em Apnéia. Existem países hoje que não aceitam mais TERMOELÉTRICAS, porque são grandes emissores de gases que geram o Efeito Estufa causando grande impacto no Meio Ambiente.

Pescadores do Colônia Z-8 em Audiência Pública pediram o embargo das Famigeradas DRAGAGENS para fins da MIDIÁTICA OBRA DO ENGORDA. Afinal será correto matar o Meio Ambiente de um lugar usando as Dragas para engordar outro local? A finalidade é fazer mídia ou resolver? Afinal o que parece ter engordado mesmo foi a área de atuação do tubarão nas praias e o bolso dos veículos de comunicação que são pagos com Dinheiro Público! Já imaginou o quanto custa o minuto da televisão no horário nobre? Some isso com as rádios, Outdoor e outros veículos de comunicação

Não foi só os pescadores locais que foram a ruína econômica pela extrema violação ambiental , mas Comerciantes locais começaram a ter dificuldade em obter peixes na localidade e foram buscar peixes de fora da área que exerciam suas atividades. Pescadores alegam que Suape deu certa vez uma sexta básica de R$ 79,00 reais com charque, fubá e arroz ? Será que isso resolveu o problema? será que isso trará os peixes de volta ? Como ficou a ilha de TATUOCA ? Será que em 2015 haverá novos pescadores ? haverá dignidade ? Será que o turismo vai prosperar? Será que os ataques constantes, denominados de "REBELIÃO DOS TUBARÕES não é por conta da MORTE DO MANGUEZAL PELAS DRAGAGENS E PELA AÇÃO DAS TERMOELÉTRICAS EM SUAPE?Quadro mais ainda desonroso, desmoralizante e covarde foi a condução da expulsão das terras, na ausência de uma negociação amigável muitos moradores procuraram a Delegacia local, narrando que eram vítimas de equipes de demolição comandadas por Suape. Os moradores narravam inclusive que se tratava de uma milícia armada que fazia uso da força no local, traziam vídeos com a atuação incontestável da suposta equipe de demolição em que trabalhadores eram constantemente agredidos, eram entregues também fotos, depoimentos e registros de atendimentos médicos , foi instaurado inquérito após ser recebida todas essas informações, pois entendemos que nesse caso só o juiz pode dizer quem entra ou quem sai, quem pode destruir ou construir em Suape. A população não pode sofrer com ordens ilegítimas , destarte Executor e mandante tem que responder igualmente por tal violação. O caso foi de uma brutalidade tão incomum que em outubro foi notícia na mídia do Estado a destruição ilegal de casas. Até pouco tempo ninguém ousava falar mal da toda poderosa Suape, a menina dos olhos do Estado , no dia 10 de outubro foram ao ar matérias mostrando o por detrás das câmeras de Suape, como foi batizada pela mídia de "DEMOLIÇÕES ILEGAIS DE CASAS".

O inchaço populacional, dificuldade de mobilidade e a falta de estrutura deveriam ter sido analisados antes para receber um aumento populacional absurdo fruto do progresso de Suape ! Hoje a população próxima de Suape (Cabo de Santo Agostinho, Escada, Recife, Jaboatão, Ipojuca e Porto de Galinhas) sofrem com o inchamento populacional sem a estrutura adequada, o que refletiu de forma negativa no turismo local e no exagerado preço dos alugueis e vendas de imóveis. Recentemente começou uma onda de demissões em SUAPE, a previsão é de ocorra milhares de demissões, nasce então uma nova questão...O que fazer com os que estão sendo demitidos? Há políticas Públicas de aproveitamento desse trabalhador? Esse desemprego não pode afetar a criminalidade?

Tem uma pergunta que não sai da minha cabeça e peço ao leitor que reflita comigo....Quanto vale o preço do progresso? Bem, pelo que lemos aqui deu para perceber que quando se fala em Suape nem tudo são flores , Será que quando cessar essas palmas midiáticas poderemos refletir melhor sobre as mazelas do progresso ? Agora a palavra é sua amigo leitor! FORÇA E HONRA!

11 de janeiro de 2014

LEMBRANÇAS DE FREI CANECA


Lembranças de Frei Caneca

Por Miguel Sales - Promotor de Justiça

Nos últimos anos, nos meados de janeiro, não mais se apresenta pelas ruas de Recife a peça O Calvário de Frei Caneca, de José Pimentel, baseada numa obra de Cláudio Aguiar, também de título assemelhado. Dizem que tal espetáculo ambulante fechou as suas cortinas para o povo por falta de patrocínio da Prefeitura do Recife, embora essa, antes, sempre investiu pesado no Recife-Folia, e, agora, continua a manter, por exemplo, os dispendiosos festejos de fim de ano, para não se falar na gastança nos dias de Carnaval.

Esses eventos, é certo, embeleza a cidade, tão tingida de violência, e dar fôlego - e como! - ao comércio, ante o anseio consumista de muitos. De qualquer modo tal desejo, no tocante ao Natal, revela um sentimento contraditório, pois o Cristo, ao nascer numa manjedoura, veio até nós sobre o manto da simplicidade, e como momento de reflexão, que não se pode confundir com os atropelamentos dos shoppings centers da vida. Mas, voltando à peça sobre Frei Caneca, esta, ao contrário, necessita apenas de um de pequena ajuda a fim de mostrar um dos episódios mais memorável de nossa história: a via crucis de um homem que em busca da liberdade participou de corpo e alma de duas revoluções, até ser fuzilado covardemente em 13.01.1825, por sentença mudada à última hora, pela tropa do Império, quando nem os carrascos ou os condenados a prisão perpétua ou à morte tiveram a coragem de enforcá-lo – apesar da promessa solene e certa de serem todos anistiados.

João Cabral de Melo Neto, com sua estética poética revolucionária, no seu célebre Auto do Frade, exibido nos palcos do Brasil inteiro, em um dos seus belos trechos, nos oferta a visão de Caneca ao ser sumariamente julgado: Sei que traçar no papel é mais fácil que na vida. / Sei que o mundo jamais é a página pura e passiva. / O mundo não é uma folha de papel receptiva: o mundo tem vida autônoma, é de alma inquieta e explosiva. / Mas o sol me deu a idéia de um mundo claro algum dia.

Para se conhecer esse mais famoso carmelita do Brasil, a melhor indicação é a leitura de suas próprias Obras Políticas e Literárias, reeditadas em 1972, graças ao empenho da nossa Assembléia Legislativa. Sobre ele, se escreveu dezena de obras, valendo destacar, afora as citadas, A Gloriosa Sotaina do Primeiro Império, de Lemos de Brito, A Liderança do Clero nas Revoluções Republicanas, de Gilberto Carvalho, O Liberalismo Radical de Frei Caneca, de João Montenegro, Ensaios Universitários Sobre Frei Caneca, de diversos autores e Frei Caneca - Ensaios Políticos, editado pela PUC/Rio.

O Senado, em 1984, cumprindo a vontade do saudoso Nilo Coelho, em comemoração aos l60 anos da Confederação do Equador, também publicou, com introdução de Valmireh Chacon, um livro contendo todos os exemplares do jornal O Typhis Pernambucano. Esse periódico, que circulou no Recife de 25.12.1823 a 05.08.1824, um pouco antes do nosso Diario, contém as principais idéias políticas de Frei Caneca. Ele trazia duas evocações: uma, com o seu próprio nome, em referência à legendária expedição dos argonautas; a outra, no intróito de todas as suas edições, a um dos versos de Camões, em Os Lusíadas - uma nuvem que nos ares escurece, sobre nossas cabeças aparece, talvez querendo enfatizar que o homem não pode ficar alienado da realidade de seu tempo.

28 de dezembro de 2013

EM BUSCA DE UM NOVO TEMPO

EM BUSCA DE UM NOVO TEMPO

Uma nova luz,
Um novo Natal,
Um novo ano,
Um novo tempo,
Desejo de uma Justiça real e humana,
De um Direito que livre os oprimidos.
Terra que renasça um novo homem,
Cheio de paz, longe da violência.
É tempo de ter esperança:
Por um novo destino,
Um novo sentir, um novo pensar:
Harmonia entre tecnologias e natureza,
Na qual a vida respira mais forte.
Sonhos de construção de um novo lugar
Onde não falte o que essencial,
À dignidade da pessoa humana:
A morada, o trabalho, por exemplo.
Porém, apesar da fome,
Apesar do desabrigo,
Apesar do desemprego,
Apesar de tantos dias amargos,
De tanto descaso de certos governantes,
É preciso acreditar no homem.
É preciso acreditar no despertar do povo,
Na separação do joio do trigo,
Na vinda de um novo amanhã,
De novo significado para a vida.
De uma força que transforme o egoísmo de alguns
Em felicidade para cada um de nós.
Somente assim vale a nossa fé,
O amor pelo semelhante,
Que é a imagem de nosso Deus
E a medida de todas as coisas.

Promotor Miguel Sales